quinta-feira, 11 de abril de 2013

João 3, 31-36

Quem acredita no Filho tem a vida eterna.

Acreditar... é uma trabalheira!
Mesmo quando superamos a tentação de tratar Deus como um objecto de análise científica.
Mesmo quando nos libertamos do preconceito social que nos obriga a calar a fé.
O que custa mais é aceitar o absurdo de um Deus que Se quis aproximar de nós até Se fazer um de nós.


Para Ti, meu Deus,
todo o meu louvor e agradecimento.
Porque ao acolheres a minha fé,
ainda que frágil,
dás à minha vida o sentido
e a alegria que me faltava.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

João 3, 16-21

Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho...

O Deus que acreditamos ama intensamente este mundo que criou.
E ama, sobretudo, a humanidade. Ama-te intensamente.
Fez-te capaz de conhecer e de amar. De dialogar com Ele.
De viver em amizade com Ele.
Fez-te capaz de partilhar com todos esse amor imenso que de Deus vem.


Obrigado, Pai bondoso!
No teu amor sem limites me deste Jesus
como companheiro e amigo.
Estende os meus braços para O abraçar.
Abre os meus ouvidos para O escutar.
Ilumina os meus olhos para O contemplar.


terça-feira, 9 de abril de 2013

João 3, 7b-15

Como pode ser isso?

Nicodemos é um homem culto.
Sabe muitas coisas.
Mas não consegue perceber como Deus é surpreendente.
Não entende que Deus tem um amor, grande e criativo, capaz de curar todas as nossas feridas, capaz de tornar reais os nossos mais profundos desejos.


Senhor
abre o meu coração
à tua novidade.
Ajuda-me a confiar
nos caminhos de vida nova
que Tu me ofereces.
Aumenta a minha fé.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

A carminhada da Inês


Levemos o Carmo Jovem ao coração de outros jovens!

O dia começou cedo para 13 gotinhas gandaresas que, movidas pela fé e talvez por alguma saudade, se juntaram a todas as outras que com o mesmo propósito se reuniram no Convento de Avessadas.
Depois das apresentações feitas e de o cajado estar entregue, era hora de pôr pés ao carminho. Carminho esse que, apesar de um pouco mais curto do que aquele a que muitos estamos habituados, foi muito enriquecedor (como sempre é) e iluminado pelas sábias palavras de Sta. Teresa de Jesus.




A meu ver, é muito importante que estas carminhadas se realizem, assim como outras atividades, que fortalecem a fé dos que já carminham há algum tempo e cativam aqueles mais “desligados”, passando estes a ter uma visão diferente daquilo que é Deus e do que Ele quer de nós.
Assim, e guiados pelas palavras de Sta. Teresa quando nos diz que se torna mais fácil amarmos Aquele que nos faz bem, amemos a Deus, já que Ele tudo prepara para que possamos viver felizes. Sigamos ainda as “instruções” do nosso antigo Papa Bento XVI, e tentemos cativar outros jovens para que também eles possam viver em comunhão com Deus e no seu amor.

Abreijos carregadinhos de amizade e esperança de que continuem com o Carmo Jovem para a frente!

A gotinha Inês Eulálio (Moinhos da Gândara)


João 3, 1-8

Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.

Nicodemos vem ter com Jesus de noite, às escondidas.
Jesus acolhe-o. Tem paciência com a hesitação da sua fé.
Mas diz-lhe claramente que se não mudar de perspectiva, de atitude, nunca experimentará a vida nova de uma fé plena.


Senhor, faz-me disponível para a mudança.
Ajuda-me a superar todos os hábitos, todas as memórias, que me impedem de renascer em Ti.


domingo, 7 de abril de 2013

A carminhada do Filipe



O Carminho entre Avessadas e Tongóbriga estava já programado há mais de um ano mas quis Deus que na primeira tentativa nos ficássemos pelo Santuário do Menino Jesus de Praga.
Apesar das dúvidas, das hesitações, os Jovens animaram-se (muitos pela primeira vez!) e a chuva ameaçadora deu uma trégua bem catita!
Cajado e Cruz à frente e colocamos os pés ao caminho. Esperava-nos uma subida por esses Montes e Ribeiras à procura do Amado!


Ok a minha subida era um pouquito mais simples pois a missão da “rosca” ou “carrinha vassoura” estava ao meu cuidado.
Felizmente tive a companhia simpática do Ricardo de Paços de Gaiolo, lesionado num pé, que me foi falando com entusiasmo dos seus projectos pessoais e da Encenação ao vivo da Via Sacra que ele e o Grupo Segue-Me haviam preparado!
Também caminhei um pouco, pois havia uma pequena parte do percurso que eu conhecia melhor. Por vezes as nuvens assustavam um pouco e as vozes sábias lá recomendavam para acelerar o passo. De volta ao volante e em confidencia com os “Caramezes” Ana e Pedro e com o Zé Filipe, íamos avaliando e pensando os passitos seguintes até que chegamos ao Monte das Lagoelas onde, com remix dos grupos, meditamos entre a Mensagem ao Jovens do Papa, agora emérito, Bento XVI e a simplicidade do (novo) Papa Francisco. Foram breves minutos de reflexão mas a mensagem passou. Cada grupo, à sua maneira, sentiu o apelo forte a sermos mensageiros da Boa Nova e a ser testemunhos vivos desse Jesus que nos retirou da nossa zona de conforto e nos reuniu nesse Sábado à Sua volta.
O meu almoço foi uma sandes a correr, pelo meio de alguns afazeres que se mostravam necessários... Para muitos dos rostos Amigos que estiveram presentes não tive mais tempo que para um simples Olá ou um Adeus e até breve! Mas é mesmo assim! Às vezes é preciso vivermos um pouco menos para que Ele viva mais em Nós e nos guie pelos seus Carminhos. Foi um dia a servir e a tentar acolher o melhor possível os Amigos do Carmo Jovem. 
A Eucaristia não podia ter sido melhor! Num local improvisado entre uma construção moderna e as ruínas romanas de Tongóbriga. Ora com umas gotas, ora com vento, ora com uns raios tímidos de sol. Entre duas edificações actualmente desabitadas, Ele habitou entre nós e fomos testemunhas da Sua entrega total e do Seu apelo ao Pai: “Perdoa-lhes porque não sabem o que fazem!”
O eco da Mensagem de Bento XVI fez-se ouvir pelo Frei João. “Quem não dá Jesus, dá muito pouco” Este foi e é também o apelo a cada uma das gotinhas do Carmo Jovem. Que no seu dia a dia possam dar Jesus nos seus Grupos, aos Amigos, nas suas Paróquias...
Resta agradecer a presença simpática de todos e também em particular ao apoio generoso das Flores do Carmelo com os seus Cânticos, ao GPS pelas recordações “fofinhas”, ao Grupo Segue-Me pelos Ramos carinhosamente preparados, e ao Tony, o gentil mecânico que colocou em marcha o transporte do Grupo de Moinhos da Gândara!
Finalmente, à Coordenação um Bem-Haja pela sua determinação e vontade de que o Carmo Jovem dê um pouco mais de Jesus a cada uma das suas Gotinhas.

A gotinha Filipe Madureira


A carminhada do Frei Renato


E aconteceu no seu falar e debater [dos dois discípulos que caminhavam para uma aldeia, de nome Emaús], que o próprio Jesus se aproximou e caminhava com eles. Mas os seus olhos estavam controlados para que não o reconhecessem. Foi reconhecido por eles no partir do pão” (Lc 24, 15-16. 35)


Olá! Pediram-me para que escrevesse uma crónica acerca da Carminhada e imediatamente disse: vai demorar! E demorou mesmo! Mas, ainda bem que demorou! Primeiro, porque, só à distância, conseguimos ver melhor, não o pormenor, mas o conjunto, o todo, a mensagem, o sumo, o essencial. Depois, porque é diferente escrever antes de escrever depois de ler o Evangelho que a Igreja nos propõe hoje: o relato da caminhada dos discípulos de Emaús.
Primeiro, as diversidades. Foi a primeira coisa que me saltou à vista. Uns daqui, outros de acolá. “O que será que isto vai dar?”, dizia eu, inexperiente nestas coisas de Carmo Jovem, cá para mim. E eram muitos: Avessadas (GPS, Flores do Carmelo, 9º e 10º ano de Catequese), Paços de Gaiolo, Viana do Castelo, Moinhos da Gândara (e depois, também, Braga e Aveiro). E, para mim, a maioria desconhecidos. Lá entramos na casa do Menino, como gosto de chamar a este Santuário do Menino Jesus de Praga (ou de Avessadas!), e fiquei a conhecer o novo da diversidade: o Grupo GPS, as Flores, o Grupo Segue-me, etc… Mas logo essa diversidade se começou a tornar unidade quando foi preciso cantar, rezar, ler, meditar. Sim, É PRECISO! Porque a caminhada que tínhamos diante não era tanto até Tongobriga, era mais até ao interior de nós mesmos, onde colocamos os alicerces do edifício da vida. E, como diz Teresa, “a humildade é o alicerce do edifício” (V 22,11). E para chegarmos ao interior de nós mesmos e avaliar/colocar o alicerce da humildade é preciso a força, a coragem, a “determinada determinação” que só Cristo pode dar.
Guiados pela mulher do cajado, a “pastora” Cindy, e pelo senhor guitarrista, o Pedro, lá nos pusemos nós ao caminho. Até ao Castelinho. Logo ao início, fazem-se perguntas (do género: “pode-se falar ou isto é em silêncio?”), encurtam-se distâncias (dois dedos de conversa aqui e um empurrão ali nas meninas que vêm mais atrasadas) e lá se chega à primeira paragem. Foi a paragem do re(-)conhecimento: “É coisa muito sabida amarmos mais uma pessoa quando muito nos lembramos das boas obras que nos faz.” (Teresa de Jesus, V 10, 5). E, logo a seguir, uma carta de Jesus. Como diz um frade que conheço: tanta cousa! De facto, são tantas as boas obras que nos faz este Senhor! É este Senhor que entra pedagogicamente nas nossas vidas, não impondo-se mas derramando, das suas mãos cheias para o nosso dia-a-dia, acontecimentos e obras de tanta beleza e valor! Porque “a humildade é andar em verdade diante da própria Verdade” (Teresa de Jesus, 6 M 10,7), “a coisa” (como gosta de dizer o nosso Papa Francisco) ia a correr bem: desenhava-se diante de mim umas mãos abertas constantemente a dar.
E seguimos viagem! E seguíamos viagem à procura de uma pequena ponte, algures em Esmoriz. Mas… ãh?! Paramos junto de um grande poste. Bem, até eu comentei para o lado: se isto é uma pequena ponte… Mas só agora, à distância, é que se percebe bem: a ponte primeira e primordial só pode ser vertical: entre nós e Deus! Só depois dessa ponte, podemos construir pontes horizontais que tenham valor, proveito e sentido.
E isto leva-me à terceira paragem: nas primeiras pedras do complexo arqueológico de Tongobriga. Agora, à distância, se vê bem: pedras, número três (terceira paragem) só podia ser invocação do túmulo e da ressurreição, só podia ser o início de algo novo. E foi. Para mim, o novo, o sumo desta caminhada aconteceu aqui, quando li esta frase do nosso Papa Emérito Bento XVI na sua menagem para a JMJ2013: “Quem não dá Deus, dá muito pouco!”. Esta frase fez-me estremecer, mas guardei-a só para mim. Tinha que ruminá-la! Preferi partilhar outra frase: “A história mostra-nos muitos jovens que, através do dom generoso de si mesmos, contribuíram grandemente para o Reino de Deus e para o desenvolvimento deste mundo, anunciando o Evangelho.” A “coisa”, sentia eu, estava no dom, na entrega, mas faltava acertar o alvo daquilo que Deus me queria dizer. E enquanto cá dentro isto se passava, (tenho-me andado a esquecer que isto é uma crónica!), cá fora cada grupo partilhava as “impressões mais impressionantes” da Mensagem de Bento XVI para a JMJ2013. Depois de umas homilias mais ou menos breves, de umas palavras de apresentação do Papa Francisco, lá partimos para Tongobriga.
E chegou a hora do farnel: um rissol para cá, uns pacotes de batatas fritas e snacks para lá, um bolo de chocolate para cima, uns sumos para baixo e, entretanto, (para além de chegarem os de Aveiro e de Braga) umas boas gargalhadas, acompanhadas de umas músicas, conversas mais ou menos sérias e profundas e uns toques na bola (e algumas boladas!). E assim se ficou até perto das 16 horas.
Chegou, então, o momento de celebrar a Eucaristia. Se a Eucaristia é, de si, o ponto alto de toda a nossa vida, naquele dia tão especial - o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, que o Beato JPII institui como Dia da Juventude -, mais especial se tornava pelo facto de estarmos, como jovens carmelitas, a juntar-nos a todos os jovens do mundo que, naquele dia, celebravam a alegria de ser jovem cristão. E foi aí, no partir do pão da Palavra e da Eucaristia, que se me abriram os olhos, tal como aos discípulos de Emaús. Quando o frei João, na sua homilia, ia a partilhar a frase que mais lhe tinha prendido a atenção, numa sintonia estranha, comecei a partilhar aquela frase primeira que tinha guardado e que tinha andado a remoer dentro de mim: “Quem não dá Deus, dá muito pouco!”. E então percebi qual era a sms de Deus para mim naquela carminhada: que o desse a Ele, e não apenas a mim, mesmo aos outros! Percebi que até posso partilhar o que sou, o que tenho, o que sonho, o que penso; mas mais rico e mais prioritário do que partilhar tudo isso é partilhar/dar, depois e juntamente com tudo isso, Deus. E foi então que olhei para a caminhada que tinha feito e vi: afinal tinha andado a dar aos outros um “pedacinho de Deus” nas conversas e brincadeiras, nas músicas e nos silêncios, nas piadas e na oração. Reconheci que Deus tinha andado por ali, como os discípulos concluíram que era o Senhor que Lhes tinha falado pelo caminho.


Pronto! E lá voltei eu para casa, depois de algumas carrinhas avariadas, com o alicerce da humildade-verdade solidificado: eu tenho qualidades e coisas para partilhar, é certo!, mas, se apenas me der a mim mesmo a quem comigo se encontra, terei dado pouco. Há aquele refrão: “Tu tens que dar um pouco mais do que tens!”. A mim, apetece-me dizer: Tu tens que dar muito mais do que tens; porque o que tu tens é pouco quando comparado com Deus. “Quem não dá Deus, dá pouco!”
Obrigado a todos os que trabalharam com afinco para que esta XXI carminhada, apesar de tudo se realizasse e decorresse como decorreu; principalmente à coordenação do Carmo jovem e ao GPS. E peço desculpa a quem tanto esperou por esta crónica tão desajeitada, mais crónica da viagem interior do que da exterior.

A gotinha Renato