quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Falavam-me de Amor

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia

Já só faltam 5 dias!


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

História Antiga


Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação. 
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
 
Miguel Torga

Para as Gotinhas mais pequeninas

Hoje é dia de Natal
Mas o menino Jesus
Nem sequer tem uma cama,
Dorme na palha onde o pus.

Recebi cinco brinquedos
Mais um casaco comprido.
Pobre menino Jesus,
Faz anos e está despido.

Comi bacalhau e bolos,
Peru, pinhões e pudim.
Só ele não comeu nada
Do que me deram a mim.

Os reis de longe trazem
Tesouros,incenso e mirra.
Se me dessem tais presentes,
Eu cá fazia uma birra.

Às escondidas de todos
Vou pegar-lhe pela mão
E sentá-lo no meu colo
Para ver televisão.
             Luísa Ducla Soares

Figuras do Advento

  João Baptista


 João Baptista é, de acordo com a interpretação cristã, o precursor de Jesus. O nome «Baptista» deriva da sua actividade profética, pois baptizava no rio Jordão todos os que se mostravam dispostos a converter-
-se a Deus. João interveio publicamente antes de Jesus, anunciando a vinda iminente do Messias. João convidou as pessoas do seu tempo a arrependerem-se dos seus pecados e a mudarem de vida, denunciando a hipocrisia que orientava a vida de determinados grupos sociais. A sua atitude frontal e desassombrada
fez com que fosse preso e decapitado por ordem do rei.

Figuras do Advento

S. José


José, pai adoptivo de Jesus, é também uma figura central do Advento. Era descendente da casa de David e, como Maria, sua mulher, também aceitou a missão que lhe foi confiada. Nos evangelhos, à semelhança
do que acontece com Maria, vem narrada a anunciação do anjo Gabriel a José, através de um sonho, com o fim de o tranquilizar quanto à gravidez inesperada da sua mulher. Assim, José participa activamente na
preparação da vinda do Messias: é ele quem atribui o nome ao menino e é ele também quem assume a responsabilidade da paternidade de Jesus. Com o seu trabalho de carpinteiro alimentava a sua família. Tal como os outros pais, cabia-lhe a protecção dos restantes membros da comunidade familiar e a participação na educação do filho.



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Figuras do Advento

A Virgem Maria


 A visitação

Maria, mãe de Jesus, é a figura proeminente do Advento.
No anúncio do anjo Gabriel a Maria e na visita que esta fez a Isabel, sua prima, encontramos as primeiras manifestações de esperança perante a vinda do Messias. A oração «ave-maria» é composta pela saudação do Arcanjo Gabriel a Maria — «Salve, cheia de graça, o Senhor está contigo» —, e pela saudação de Isabel, mãe de João Baptista, à sua prima Maria, quando esta a visitou, estando ambas grávidas — «bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre». Neste encontro, de acordo com a narrativa dos evangelhos, acontece a primeira manifestação de Jesus. João, ainda no ventre da sua mãe, sentiu a presença do Messias e saltou de alegria. Isabel, sentindo a manifestação do seu filho, saúda Maria.

 
 Nossa Senhora do Parto, por Piero della Francesca

«Nossa Senhora do Ó» é uma representação e uma festa de Maria, a mãe de Jesus, que teve lugar em Toledo (Espanha), no momento em que se estipulou que a festa da Anunciação do anjo a Maria seria transferida para o dia 18 de Dezembro. Mais tarde foi determinado que esta festa se celebrasse no mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria. A designação «N. Sª. do Ó» está relacionada com o facto de, nas vésperas (oração da tarde), as antífonas iniciarem com a exclamação «Ó».
A «Senhora do Ó» representa, pois, a gravidez de Maria. O Padre António Vieira proferiu um sermão a «Nossa Senhora do Ó», pregado no terceiro Domingo do Advento. A concepção de Jesus no seio de Maria é o tema principal. António Vieira escreveu sobre o espanto que se sente perante a mulher que transportou dentro de si o Filho de Deus feito homem. Neste sermão, Vieira refere que Maria não era uma mulher igual às outras. Acrescenta ainda que no ventre de Maria se encontrou o temporal com o eterno, porque nele habitou o menino Jesus.

Os cristãos têm uma especial devoção a Maria, mãe de Jesus, desde os primeiros séculos do Cristianismo. O culto a Maria surge na liturgia, em representações iconográficas, na literatura, na escultura e na pintura.
As primeiras representações iconográficas de Maria encontram-se já nas catacumbas romanas, datando do século II.

As comunidades cristãs primitivas viram em Maria o exemplo a seguir e a representação da Igreja de Cristo. Esta devoção assume grande importância nas festas do calendário litúrgico, nos hinos e nas orações. Na liturgia, estabeleceu-se a devoção mariana dos primeiros sábados de cada mês, orações como a ave-maria, a devoção do Rosário, as ladainhas e a oração do Angelus.

  Pormenor de A Coroação da Virgem

A devoção a Maria inspirou a fundação de muitas ordens, congregações e confrarias religiosas consagradas a Nossa Senhora sob diversas invocações.
A Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo é uma das mais antigas ordens de culto mariano, associada ao profeta Elias do Antigo Testamento. Os primeiros eremitas habitavam o Monte Carmelo, na Palestina.

Monte Carmelo

 Virgem e o seu menino

Na doutrina da Igreja, existem três dogmas associados a Maria. O mais antigo é o dogma que afirma que Maria, a mãe de Jesus, é Mãe de Deus, «Theotokos», porque Jesus é Filho de Deus. Este dogma foi proclamado no Concílio de Éfeso, no ano 431. Esta é uma importante manifestação de fé da qual existem diversas referências, desde os primeiros tempos do Cristianismo, na arte, nas orações, na música e na literatura.
O dogma da Imaculada Conceição de Maria exprime a crença segundo a qual Maria nasceu livre de pecado para ser a mãe de Jesus, o Filho de Deus. Este dogma foi definido pelo Papa Pio IX, no dia 8 de Dezembro de 1854.

Assunção da Virgem

No dogma da Assunção de Maria, a Igreja afirma que, depois da sua morte, Maria foi levada para o céu em corpo e alma (Assunção). Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio XII, a 1 de Novembro de 1950.
Maria é venerada não apenas pela Igreja Católica, mas também pela Igreja Ortodoxa e pela Igreja Anglicana.
Virgem Maria

A devoção mariana ocupou um espaço muito importante na fé e na religiosidade da população em Portugal, desde a origem da nacionalidade.Esta devoção manifestou-se através das diferentes invocações marianas,
nos topónimos, nas hierofonias e na antroponímia. Sob a invocação de Maria, foram fundados vários hospitais, orfanatos, casas de recolhimento de doentes e idosos.

Imaculada Conceição

Após 1645-46, D. João IV decidiu, nas cortes de Lisboa, que Nossa Senhora da Imaculada Conceição seria Padroeira do Reino de Portugal. Assim, o rei decretou que todas as vilas e cidades deveriam exibir, à
entrada das povoações, o padrão da sua consagração à Imaculada Conceição. A decisão procurava o apoio da Santa Sé para a causa da independência de Portugal, tendo o Papa Clemente X confirmado a escolha, em Maio de 1671. Foram igualmente construídas grandes catedrais, igrejas e capelas dedicadas a Nossa Senhora.