quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Figuras do Advento

S. José


José, pai adoptivo de Jesus, é também uma figura central do Advento. Era descendente da casa de David e, como Maria, sua mulher, também aceitou a missão que lhe foi confiada. Nos evangelhos, à semelhança
do que acontece com Maria, vem narrada a anunciação do anjo Gabriel a José, através de um sonho, com o fim de o tranquilizar quanto à gravidez inesperada da sua mulher. Assim, José participa activamente na
preparação da vinda do Messias: é ele quem atribui o nome ao menino e é ele também quem assume a responsabilidade da paternidade de Jesus. Com o seu trabalho de carpinteiro alimentava a sua família. Tal como os outros pais, cabia-lhe a protecção dos restantes membros da comunidade familiar e a participação na educação do filho.



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Figuras do Advento

A Virgem Maria


 A visitação

Maria, mãe de Jesus, é a figura proeminente do Advento.
No anúncio do anjo Gabriel a Maria e na visita que esta fez a Isabel, sua prima, encontramos as primeiras manifestações de esperança perante a vinda do Messias. A oração «ave-maria» é composta pela saudação do Arcanjo Gabriel a Maria — «Salve, cheia de graça, o Senhor está contigo» —, e pela saudação de Isabel, mãe de João Baptista, à sua prima Maria, quando esta a visitou, estando ambas grávidas — «bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre». Neste encontro, de acordo com a narrativa dos evangelhos, acontece a primeira manifestação de Jesus. João, ainda no ventre da sua mãe, sentiu a presença do Messias e saltou de alegria. Isabel, sentindo a manifestação do seu filho, saúda Maria.

 
 Nossa Senhora do Parto, por Piero della Francesca

«Nossa Senhora do Ó» é uma representação e uma festa de Maria, a mãe de Jesus, que teve lugar em Toledo (Espanha), no momento em que se estipulou que a festa da Anunciação do anjo a Maria seria transferida para o dia 18 de Dezembro. Mais tarde foi determinado que esta festa se celebrasse no mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria. A designação «N. Sª. do Ó» está relacionada com o facto de, nas vésperas (oração da tarde), as antífonas iniciarem com a exclamação «Ó».
A «Senhora do Ó» representa, pois, a gravidez de Maria. O Padre António Vieira proferiu um sermão a «Nossa Senhora do Ó», pregado no terceiro Domingo do Advento. A concepção de Jesus no seio de Maria é o tema principal. António Vieira escreveu sobre o espanto que se sente perante a mulher que transportou dentro de si o Filho de Deus feito homem. Neste sermão, Vieira refere que Maria não era uma mulher igual às outras. Acrescenta ainda que no ventre de Maria se encontrou o temporal com o eterno, porque nele habitou o menino Jesus.

Os cristãos têm uma especial devoção a Maria, mãe de Jesus, desde os primeiros séculos do Cristianismo. O culto a Maria surge na liturgia, em representações iconográficas, na literatura, na escultura e na pintura.
As primeiras representações iconográficas de Maria encontram-se já nas catacumbas romanas, datando do século II.

As comunidades cristãs primitivas viram em Maria o exemplo a seguir e a representação da Igreja de Cristo. Esta devoção assume grande importância nas festas do calendário litúrgico, nos hinos e nas orações. Na liturgia, estabeleceu-se a devoção mariana dos primeiros sábados de cada mês, orações como a ave-maria, a devoção do Rosário, as ladainhas e a oração do Angelus.

  Pormenor de A Coroação da Virgem

A devoção a Maria inspirou a fundação de muitas ordens, congregações e confrarias religiosas consagradas a Nossa Senhora sob diversas invocações.
A Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo é uma das mais antigas ordens de culto mariano, associada ao profeta Elias do Antigo Testamento. Os primeiros eremitas habitavam o Monte Carmelo, na Palestina.

Monte Carmelo

 Virgem e o seu menino

Na doutrina da Igreja, existem três dogmas associados a Maria. O mais antigo é o dogma que afirma que Maria, a mãe de Jesus, é Mãe de Deus, «Theotokos», porque Jesus é Filho de Deus. Este dogma foi proclamado no Concílio de Éfeso, no ano 431. Esta é uma importante manifestação de fé da qual existem diversas referências, desde os primeiros tempos do Cristianismo, na arte, nas orações, na música e na literatura.
O dogma da Imaculada Conceição de Maria exprime a crença segundo a qual Maria nasceu livre de pecado para ser a mãe de Jesus, o Filho de Deus. Este dogma foi definido pelo Papa Pio IX, no dia 8 de Dezembro de 1854.

Assunção da Virgem

No dogma da Assunção de Maria, a Igreja afirma que, depois da sua morte, Maria foi levada para o céu em corpo e alma (Assunção). Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio XII, a 1 de Novembro de 1950.
Maria é venerada não apenas pela Igreja Católica, mas também pela Igreja Ortodoxa e pela Igreja Anglicana.
Virgem Maria

A devoção mariana ocupou um espaço muito importante na fé e na religiosidade da população em Portugal, desde a origem da nacionalidade.Esta devoção manifestou-se através das diferentes invocações marianas,
nos topónimos, nas hierofonias e na antroponímia. Sob a invocação de Maria, foram fundados vários hospitais, orfanatos, casas de recolhimento de doentes e idosos.

Imaculada Conceição

Após 1645-46, D. João IV decidiu, nas cortes de Lisboa, que Nossa Senhora da Imaculada Conceição seria Padroeira do Reino de Portugal. Assim, o rei decretou que todas as vilas e cidades deveriam exibir, à
entrada das povoações, o padrão da sua consagração à Imaculada Conceição. A decisão procurava o apoio da Santa Sé para a causa da independência de Portugal, tendo o Papa Clemente X confirmado a escolha, em Maio de 1671. Foram igualmente construídas grandes catedrais, igrejas e capelas dedicadas a Nossa Senhora.









A Gotinha lembra

Jesus, o Messias prometido

Apresentação de Jesus no Templo

Os textos bíblicos registam a confiança permanente do povo de Israel no seu Deus. Um Deus que nunca os abandonou e que eles sentem que está próximo. Por esse motivo esperam, mesmo nas maiores tribulações,
que Deus se manifeste. Esperam um novo tempo de libertação da dor e da opressão. Um tempo de liberdade e de justiça trazida pelo poder de Deus, através do seu enviado, ao povo de Israel, o povo eleito.

O livro de Isaías terá sido o mais estudado, meditado e «cristianizado». É o livro da Bíblia com maior número de capítulos (66), sendo uma referência para a Igreja cristã primitiva. As comunidades cristãs primitivas leram e interpretaram as palavras de Isaías, compreendendo-as à luz da vida de Jesus. No livro de Isaías, profetiza-se a vinda de um Messias e de um reino messiânico, repleto de esperança. O evangelho de Mateus, que relata a vida de Jesus desde os acontecimentos relacionados com a sua infância até à sua morte, assume que as profecias de Isaías se cumpriram em Jesus.



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Para as Gotinhas mais pequeninas

Toca a preparar esta surdina de Natal: 
 Ó David! Ó Inês!
Vamos ver o Menino
inda mais pequenino
que vocês!
 
Vamos vê-lo tapado
sob o céu do futuro
com a sombra de um muro

a seu lado.

Vamos vê-lo nós três
novamente a nascer
Vamos ver se vai ser
desta vez.

David Mourão-Ferreira, 101 Poetas

A Gotinha recorda

 Emanuel: o Messias esperado de Israel

 Rei David a tocar harpa, autor anónimo

A expectativa da vinda do Emanuel (palavra que significa «Deus connosco»), referida no Livro de Isaías (Antigo Testamento), testemunha uma relação muito próxima entre o povo de Israel e o seu Deus, em quem
depositava grande confiança. Esta confiança é reforçada nos momentos de maior dificuldade. O povo, sujeito ao jugo dos seus inimigos, isto é, dos povos que os invadiam, espera a libertação desta opressão através da vinda de um Messias que o irá governar na paz e na justiça, trazendo a alegria a Israel. O Messias esperado seria descendente da casa de David.
Para os judeus, a fé não era algo abstracto, concretizando-se na confiança que colocavam num Deus único, com quem os seus antepassados tinham estabelecido uma aliança. É neste contexto de esperança que no livro de Isaías (6-12) encontramos o anúncio profético da vinda do Messias: o Emanuel.

Advento, tempo de esperança

Para os cristãos, o Advento é um tempo de preparação para a celebração do nascimento de Jesus. É por isso um tempo de esperança, de alegria e expectativa. Neste período, os fiéis tomam consciência da necessidade de promover a fraternidade e a paz.
 

O Advento tem início num domingo, próximo do final de Novembro, e termina na véspera de Natal. É o primeiro tempo do ano litúrgico, correspondendo aos quatro domingos que antecedem o Natal.
A música também é um elemento muito importante nas celebrações litúrgicas. Esta tem a finalidade de facilitar a interpretação, a compreensão e a interiorização da mensagem. As celebrações litúrgicas cristãs deram origem à composição das mais belas e importantes obras musicais de todos os tempos.
A celebração do nascimento de Jesus motivou a composição de peças musicais muito populares e conhecidas em todo o mundo.


As celebrações litúrgicas e a preparação das Igrejas reflectem o significado do Advento: tempo de recolhimento, de penitência e de conversão. As leituras da missa, as cores dos trajes dos ministros da liturgia e os adornos dos locais de culto são também, neste período, diferentes. Os paramentos são de cor roxa,
símbolo de recolhimento, conversão e preparação para a celebração da vinda de Cristo. No terceiro Domingo do Advento, o Domingo Gaudete ou de Alegria, os paramentos litúrgicos usados são cor-de-rosa, significando a alegria pela vinda do Salvador, que se aproxima.




O tempo que vivemos

Com o Inverno, chegam os dias cinzentos, curtos e chuvosos. O frio aproxima-se a passos largos, contrastando com o calor que emerge das lareiras. A paisagem transforma-se igualmente, desenhando os dias em tons escuros, onde se destaca a neve branca alcandorada na montanha que se veste para receber o Natal.
Na cidade, as ruas começam a ficar mais iluminadas, as montras ganham cores, as casas exibem o seu presépio e a sua árvore, a televisão multiplica a animação infantil. Os alimentos consomem-se mais quentes,
os nossos familiares iniciam inquéritos intermináveis sobre aquilo de que mais gostamos, os nossos sonhos são invadidos por histórias de fantasia e imagens de fadas onde não falta a rena Rodolfo.
É Natal! Por esta altura, multiplicam-se as campanhas de solidariedade.
Na escola e na paróquia aumenta o espírito de entreajuda. O amor e a fraternidade invadem os nossos corações! Olhamos o mundo inteiro e somos chamados a reconhecer nos outros os nossos irmãos.
Sentimos, então, o calor de um gesto ou de um sorriso, trazido pelas mãos de uma criança. É o Natal a chegar!
Vamos, então, conhecer melhor este tempo que vivemos, o Advento!