quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Chama Viva de Amor

“Oh! Chama de amor viva
que ternamente feres
De minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro.

Oh! Cautério suave!
Oh! Regalada chaga!
Oh! Branda mão! Oh! Toque delicado
Que a vida eterna sabe,
E paga toda dívida!
Matando, a morte em vida me hás trocado.

Oh! Lâmpadas de fogo
Em cujos resplendores
As profundas cavernas do sentido,
- que estava escuro e cego, -
Com estranhos primores
Calor e luz dão junto a seu Querido!

Oh! Quão manso e amoroso
Despertas em meu seio
Onde tu só secretamente moras:
Nesse aspirar gostoso,
De bens e glória cheio,
Quão delicadamente me enamoras!”

Lembra-te!



"Quando tiveres algum aborrecimento e desgosto, lembra-te de Cristo crucificado e cala."

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Não esquecer!




"Onde não há amor, põe amor e colherás amor."

Noite Escura

1. Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamadas,
Oh! ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada.

2. Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh! ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Já minha casa estando sossegada.

3. Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

4. Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em sítio onde ninguém aparecia.

5. Oh! noite que me guiaste,
Oh! noite mais amável que a alvorada!
Oh! noite que juntaste
Amado com amada,
Amada já no Amado transformada!

6. Em meu peito florido
Que, inteiro, para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna, o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

7. Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava,

8. Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Pais brilhantes, filhos fascinantes

Colocando os olhos na disponibilidade dos nossos pais, Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, hoje te Pedimos:

Deus, nosso Pai,
ajuda-me a ter fé
para acreditar em Jesus e
em tudo o que Ele fez e ensinou.
Dá-me forças para viver como Jesus
e mostrar a minha fé com palavras
e gestos concretos de amor e serviço aos outros.
Dá-me coragem para seguir o caminho de Jesus,
Teu Filho.
Que eu nunca me canse de fazer o bem
para que todos possam acreditar na vida nova de
Jesus Ressuscitado.


O +

«O + leve movimento de uma alma animada de puro amor é + proveitoso à Igreja do que todas as demais obras juntas.»

(S. João da Cruz)
«Deus quer + de ti um mínimo de obediência e docilidade, do que todas as ações que realizas por Ele.»
(S. João da Cruz)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Umas palavras da coordenadora



São 15h da tarde.
Há sol mas umas tantas nuvens ameaçam um chuveiro. É o Outono a ganhar forma. A noite já chega mais ligeira e o aconchego do lar convida-nos ao silêncio. Enrosco-me no meu caracol, fecho os olhos e recordo. Aos poucos, junto bocadinhos guardados na memória e no coração e tento compor a História e as estórias de um passado recente. Não fosse eu de História! Os anos a fio que dediquei ao trabalho arqueológico, ensinaram-me a ter paciência, a dar tempo ao tempo, para que a verdadeira história aparecesse.
Num caderno branquinho que me foi oferecido há dias por quem guardo no coração, registo os meus pensamentos, o que Deus me permitiu reter nos olhos do coração.
Não pretendo cronicar porque não tenho nem arte nem o engenho necessários, mas algum jeito tenho em juntar o A e o B e por isso, e para memória futura, partilhar convosco venturas e desventuras do VI AcampaKi.
Na minha atividade profissional, imagino uma aula em função dos alunos que tenho. Atenta aos objetivos a atingir, transformo a matéria numa estória apetecível e atraente para que todos os meus discentes a apreendam. Também com esta arte, transformo os legumes mais difíceis em sopas apetecíveis para as minhas filhas porque, quem gosta de nabos aos 7 anos de idade? Pois bem! Com a mesma magia e dedicação, pensamos o AcampaKi como um momento e uma possibilidade de conhecer Deus de outra maneira, de nos tornarmos amigos fortes sem vergonha de lhe falarmos abertamente. Tudo na vida vai como nos é apresentado, assim creio! O nosso Deus é alegre e bem-disposto, mora numa tenda, reza connosco a céu aberto tendo as estrelas como os melhores candelabros do mundo! O nosso Deus é amor e nós acreditamos que os jovens o devem conhecer. Acreditamos que é possível mostrar este Deus aos jovens da sapatilha, da comida plástica, dependentes da net e dos encontros virtuais. No AcampaKi são 7 dias de encontro muito real com ELE, sempre acompanhados pelas palavras de Santa Teresa e de S. João da Cruz, os nossos pais. Afinal, os pais sempre acompanham os filhos e estes pais são muito especiais! Viveram num tempo em que viver era difícil, em que manter-se vivo e com saúde era objetivo quase diário. Viveram num tempo em que o poder estava confinado nas mãos de alguns que determinavam o modo de agir e pensar de todos os outros. Mas mesmo assim nesses tempos em que a liberdade de ação e de pensamento era apenas um conceito abstrato dos dicionários, eles conseguiram fazer nascer um novo modo de amar Deus, de alimentar a fé, um novo modo de caminhar. Com a mesma determinada determinação, nós nos propusemos organizar o VI AcampKi, um acampamento de jovens com atividades diversas e momentos de oração muito bem planeados. Temos “professores” que partilham connosco experiências de vida e manifestações do poder de Deus nas suas vidas, temos música, temos piscina, temos alegria, animação, temos também momentos de lágrimas por que é preciso lavar o pó dos olhos e, acima de tudo, limpar o “pó da alma” que se vai acumulando neste turbulento dia-a-dia.
Foi com estes pressupostos que preparamos o AcampaKi. Foi com a intenção de mostrar Jesus aos jovens, fazê-los perceber que é possível ser-se católico e ser-se “fixe e cool” ao mesmo tempo. São realidades compatíveis e é necessário que todos entendam isso. Queremos lutar contra seres amorfos e de mente atarracada. Queremos jovens participativos, interventivos, questionadores e que aprendam a criar disponibilidade de tempo. Sim, porque o mais fácil é não ter tempo para estar com Jesus, falar com ELE, ir à Igreja e participar na Eucaristia. Nós conseguimos tornar agendas elásticas! Afinal, quando estamos de coração aberto, o amor acontece. 

Entre equipa coordenadora e jovens acampaKis, eramos 22. Entre várias atividades, virámos a noite dia, apanhámos bolotas e pintámos peixinhos em seixos do mar para construirmos um cardume mais forte e coeso. Aliás, era este o lema do nosso acampamento. 



De jornais e revistas construímos lindas caravelas que flutuaram na vinha de Deão ao sabor do vento. Fomos em busca do tesouro e encontramos Fé, Esperança e Caridade. Escutámos o Provincial Joaquim Teixeira e guardámos no coração as suas palavras de incentivo e coragem. Ouvimos a Família Tato e percebemos como uma criança diferente muda a vida de uma família, para melhor. Recebemos a Rita e percebemos duras realidades de vida e da Jana ouvimos a significado da palavra Amizade. Com a Verónica Raquel aprendemos a fazer terços e com eles rezámos a Coroinha do Carmo Jovem, previamente pensada e construída. Com todos estes professores rezámos, no final das suas aulas, uma oração previamente elaborada e comprometemo-nos a rezar todos os dias a mesma oração por todos eles. Nestes dias sentimos calor mas também sofremos com o fresco da noite e com a brisa do nascer do dia; aprendemos a partilhar o mesmo espaço, a dividir o pão e a multiplicar sorrisos. Conhecemo-Lo melhor… ou pelo menos esforçámo-nos por isso. Quando duvidámos, tínhamos a nossa mãe, Nossa Senhora do AcampaKi, que sempre nos ilumina. O meio da semana trouxe consigo a noite aberta, uma noite para recebermos visitas. E este ano recebemos duas muito importantes, a Laura e Sara que chegaram para nos visitar mas acabaram por ficar connosco! Sabem porquê? Porque o espírito do acampaKi é um cardume contagiante e irrecusável! 




Na Eucaristia de Domingo, momento mais importante do AcampaKi, o Carmo Jovem homenageou o João Carlos com a imposição da cruz carmelita, desejando-lhe tudo de bom na sua nova vida que se iniciaria brevemente ao tornar-se Frei João Carlos. Também os restantes acampaKis receberam a tão desejada cruz e dele se devem fazer acompanhar nas próximas atividades do Movimento.
Se foi difícil? Claro que foi! Imaginem quantas horas se gastaram a planear tudo, a preparar, a fazer compras, a escolher ementas, a verificar o estado das cordas, dos pregos, das lonas, das lâmpadas, a redigir guiões, a inventar T-shirts, a maquinar diferentes atividades e tudo isto em paralelo com as vidas pessoais e profissionais de cada um. Um obrigado a todos que criaram disponibilidade no coração, tanto os elementos da equipa coordenadora como todos aqueles que mais indiretamente nos ajudam. Um obrigado à cozinheira Balbina que sempre nos presenteou com uma ementa deliciosíssima.
Se foi duro? Foi! Levantar sempre às 8h da manhã e ter o dia todo preenchido sabendo que à mínima falha, o Frei João nos puxaria as orelhas!
Se teve momentos amargos? Teve! Alguns! Porque as dúvidas toldam-nos o pensamento e fazem-nos bloquear o cérebro porque muitas vezes achamos que não somos capazes de tamanha responsabilidade.
E teve coisas boas? Sim! Muitas! Inexplicáveis em palavras! As emoções, os sorrisos, os amigos, o Amigo, a serenidade, a paz… Acredito que Santa Teresa de Jesus está um bocadinho mais feliz ao ver a Gotinha a ficar mais forte.
Lá fora chuvisca! Uma chuva miudinha toca nas flores do meu jardim que a recebem como uma bênção dos céus. Lembro dos quatro graus de oração da Santa que foram o nome das quatro aldeias do VI AcampaKi – poço, nora, levada, chuva. É assim. Cada atividade tem uma meta de aprendizagem como uma aula. Mas aqui não há provas nem exames. Aqui só há o amor que acontece…por ELE e para ELE.
Passou tanto tempo e só agora a crónica? Bem, não é uma crónica, já o expliquei. É um fragmento da História do Carmo Jovem. Sim, passou muito tempo mas não estivemos parados. Não! Estivemos em reflexão. Às vezes, é preciso parar para andar. Repensar, reorientar, rasgar com o passado para perspetivar o futuro. É assim na História! É assim na vida! Foi assim comigo! São momentos de confrontação, de questionamento, de análise e também de sofrimento…acreditem, que é verdade. Há dor nestes rasgões. Digamos que foi uma revolução e na pós-revolução, andemos para a frente. E esta vontade nasce do amor pela Gotinha. Ela deve continuar a sarapintar a nossa vida e a de todos aqueles que a quiserem conhecer.
Gotinha a gotinha formamos um riacho que se tornará forte e com a ajuda de Deus regará o jardim dos nossos corações.
Até sempre, acampaKis!